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sábado, 28 de março de 2026

ANTONIA FERREIRA

 “Descendente de uma família antiga com várias gerações dedicadas à viticultura no Douro, a “Ferreinha”, como era tratada carinhosamente pelas gentes desta região, foi figura de relevo no século XIX português.

Herdeira das quintas da família, após enviuvar dedicou toda a sua vida ao negócio da produção e venda de vinho do Porto, tendo-se tornado numa das mais notáveis empresárias deste País.

 A cobiça da imensa fortuna de D. Antónia, levou o duque de Saldanha, então primeiro-ministro, a pedir em 1854 a mão da filha de D. Antónia, então com 11 anos, para o seu filho. Perante a recusa de D. Antonia, o duque, um dos homens mais poderosos no País e habituado a não ser contrariado, manda raptar a garota. Avisada, D. Antonia procura refúgio com a filha em Londres e manda publicar um protesto nos jornais do Porto. Só voltaria a Portugal após a queda do governo.

Em 12Mai1861, durante a viagem da Quinta do Vesúvio para a Régua, o barco naufraga na zona mais torrentosa do rio Douro. Muitos da comitiva afogaram-se e o corpo do Barão de Forrester nunca foi encontrado mas D. Antónia conseguiu salvar-se graças às bofudas saias de balão que a fizeram flutuar até à margem.

 Em 1867, quando a praga da filoxera devastou as vinhas da região e provocou as falências dos produtores, o abandono das terras e uma profunda crise social, D. Antónia procurou fora do país o conhecimento para combater a doença trazendo novas técnicas de cultivo, ajudou os outros agricultores da região por vezes comprando as terras e vendendo aos antigos donos a preços simbólicos para não caírem em mão estrangeira, e empregou a gente da terra na reconstrução das vinhas.

Em 1877, e perante a perplexidade de muitos, comprou em hasta pública 300 hectares de terras bravias, remotas e sem acessos. Estas terras tornaram-se na Quinta do Vale Meão e viriam a dar origem a um dos mais famosos vinhos portugueses, o “Barca Velha”.

Com uma ligação profunda à região e às gentes da sua terra deixou ainda numerosas obras de carácter social como escolas, hospitais, estradas ou o apoio ao caminho de ferro.

De vida simples e austera, recusou títulos e prebendas da Côrte, sendo que o seu maior prazer era o passeio pelas suas vinhas.

Os jornais do Porto da altura relatam que à passagem do seu coche fúnebre, homens e mulheres ajoelhavam prestando uma ultima homenagem a esta mulher que lembravam generosa com os mais pobres e altiva com os mais poderosos.”





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