“O amor é um pássaro rebelde
Que ninguém pode aprisionar
E é em vão que o chamamos
Se lhe convém recusar
Jamais conheceu regras
Se não me amas, talvez te ame
E se te amar, tem cuidado...”
“O amor é um pássaro rebelde
Que ninguém pode aprisionar
E é em vão que o chamamos
Se lhe convém recusar
Jamais conheceu regras
Se não me amas, talvez te ame
E se te amar, tem cuidado...”
“Descendente de uma família antiga com várias gerações dedicadas à viticultura no Douro, a “Ferreinha”, como era tratada carinhosamente pelas gentes desta região, foi figura de relevo no século XIX português.
Herdeira das quintas da
família, após enviuvar dedicou toda a sua vida ao negócio da produção e venda
de vinho do Porto, tendo-se tornado numa das mais notáveis empresárias deste País.
A cobiça da imensa fortuna de D. Antónia, levou o duque de Saldanha, então primeiro-ministro, a pedir em 1854 a mão da filha de D. Antónia, então com 11 anos, para o seu filho. Perante a recusa de D. Antonia, o duque, um dos homens mais poderosos no País e habituado a não ser contrariado, manda raptar a garota. Avisada, D. Antonia procura refúgio com a filha em Londres e manda publicar um protesto nos jornais do Porto. Só voltaria a Portugal após a queda do governo.
Em 12Mai1861, durante a viagem da Quinta do Vesúvio para a Régua, o barco naufraga na zona mais torrentosa do rio Douro. Muitos da comitiva afogaram-se e o corpo do Barão de Forrester nunca foi encontrado mas D. Antónia conseguiu salvar-se graças às bofudas saias de balão que a fizeram flutuar até à margem.
Em 1867, quando a praga da filoxera devastou as vinhas da região e provocou as falências dos produtores, o abandono das terras e uma profunda crise social, D. Antónia procurou fora do país o conhecimento para combater a doença trazendo novas técnicas de cultivo, ajudou os outros agricultores da região por vezes comprando as terras e vendendo aos antigos donos a preços simbólicos para não caírem em mão estrangeira, e empregou a gente da terra na reconstrução das vinhas.
Em 1877, e perante a perplexidade de muitos, comprou em hasta pública 300 hectares de terras bravias, remotas e sem acessos. Estas terras tornaram-se na Quinta do Vale Meão e viriam a dar origem a um dos mais famosos vinhos portugueses, o “Barca Velha”.
Com uma ligação profunda à região e às gentes da sua terra deixou ainda numerosas obras de carácter social como escolas, hospitais, estradas ou o apoio ao caminho de ferro.
De vida simples e austera, recusou títulos e prebendas da Côrte, sendo que o seu maior prazer era o passeio pelas suas vinhas.
Os jornais do Porto da altura relatam que à passagem do seu coche fúnebre, homens e mulheres ajoelhavam prestando uma ultima homenagem a esta mulher que lembravam generosa com os mais pobres e altiva com os mais poderosos.”
“O pensamento mais rico em conteúdo que em palavras, orgulha-se de sua substância, não de seus adornos”. – Julieta. Ato II, cena VI.
“E parecia aquele Tejo
este rio doirado
parecia até que tu vinhas
comigo a meu lado
ou seria das flores
e das matas cheirosas
das madressilvas dos frutos
das ervas babosas”
“No Peru, entre os anos de
1996 e 2000, as mulheres quechua foram sujeitas a um programa governamental de
esterilização forçada. Esta campanha, mascarada como “planeamento familar” tinha
como objetivo a resolução do “problema índio”. Para terem acesso a cuidados de
saúde básicos, alimentação ou obtenção de documentos oficiais, estas mulheres
tinham que entrar no programa. As que recusavam eram coercivamente operadas. Foram
cerca de 300.000.”
“Povo com origem celta que habitava as montanhas entre os rios Douro e Tejo. Não deixaram escritos e o que se sabe hoje deles deriva dos relatos de autores gregos e romanos e da arqueologia.
“Nasceu em Penafiel em 22Jun1818.
Aos 19 anos assenta praça no
quartel de cavalaria 2 nos “Lanceiros da Rainha”.
Em 1837 os “Lanceiros” fazem
parte da “Revolta dos Marechais”, cujo insucesso o obriga a refugiar-se em
Espanha.
Regressa a Portugal em 1845 e
participa na “Revolta da Maria da Fonte”. Como reconhecimento da bravura e dedicação
à causa, é agraciado com a condecoração Torre e Espada.
A acumulação de dívidas leva-o
a ser expulso do exército e assim, no decurso da guerra civil entre
absolutistas e liberais, torna-se chefe de uma quadrilha de salteadores, onde
se incluiam membros do clero e da nobreza, como o sacerdote Torcato Guimarães e
o morgado de Magantinha.
O alvo dos roubos eram as
casas senhoriais do Norte de Portugal onde, segundo a tradição popular, tratava
com respeito os donos das casas assaltadas e distribuia parte do saque pelos
mais necessitados, o que lhe valeu a alcunha do “Robin dos Bosques português”.
Em 1859 foi preso e partilhou
a cela com Camilo Castelo Branco, cuja amizade levou o romancista a fazer-lhe
referência nas suas “Memorias do Cárcere”.
Foi julgado e condenado ao
degredo em Angola. Na aldeia de Xissa, onde viveu o resto da sua vida, os
locais continuam hoje a cuidar do pequeno mausoléu que foi erguido em honra do
Kimuezo (homem das barbas grandes), e onde jaz o outrora respeitado e generoso
comerciante de borracha, marfim e cera.”
“À barca, à barca, senhores!
Oh! que maré tão de prata!
Um ventozinho que mata
E valentes remadores!”
“Por força assim é!
Como fizeste, cá entrarás!
Irás servir Satanás,
Porque sempre ele te ajudou”
“Nasceu em Setúbal em 1753.
Com um timbre de voz
com uma velatura única, e numa época em que o gosto musical preferia a voz dos
castrati, cantou durante mais de vinte anos nos palcos mais prestigiados da
Europa, onde as críticas da época a aclamaram como a “voz do século”.
No estrangeiro dedicaram-lhe
sonetos, escreveram para a sua voz, e foi pintada pela retratista de Maria
Antonieta. Beethoven conheceu-a em 1790 quando, enquanto jovem pianista, tocou
num concerto dado em sua honra.
Na corte de Catarina II da
Russia permaneceu cinco anos sendo que esta uma vez ao ouvi-la, emocionada,
tirou da cabeça o esplendoroso diadema e lho ofereceu dizendo “cantais como uma
verdadeira rainha”.
Na Prussia, onde permaneceu
dois anos, Frederico Guilherme II, ofereceu-lhe aposentos no palácio real, com carruagem
e cozinheiros próprios.
Em 1793, por ocasião do
nascimento da infanta, foi requerida a sua presença, e em sua honra foi-lhe
concedida autorização especial para cantar em público, o que ao tempo era interdito
às mulheres em Portugal.
Após o término da sua carreira
e o falecimento do marido, encontra-se no Porto aquando da segunda invasão
francesa e, ao tentar atravessar o rio Douro com a população desesperada em
fuga das cargas dos soldados franceses, cai ao rio e perde o cofre com as fabulosas joias oferecidas nas maiores cortes europeias. Ao contrário de
muitos, conseguiu salvar-se, tendo sido encarcerada mas imediatamente libertada quando
o general Soult a reconhece.
Morreu em Lisboa em 1833, no mais
completo olvido, cega e em dificuldades financeiras, e até hoje jaz debaixo do
prédio entretanto construído por cima do antigo cemitério da Encarnação.”
Fernão Mendes Pinto nasceu em
Montemor-o-Velho e em 1537 e, no auge da expansão portuguesa, partiu numa nau
rumo à India e ao Oriente, por cujas paragens vagueou cerca de vinte anos.
As muitas vidas que viveu
nestas paragens exóticas e desconhecidas contou-as na “Peregrinação”:
… sem mastro n~e vellas, porque tudo o vento nos fez em pedaços, & com três rombos por junto da quilha, nos fomos logo a pique supitamente ao fundo, sem podermos salvar cousa nenh~ua, & muyto poucos as vidas…
O nosso capitão mor cometeu então queimarLhe a galé, & lhe lançou dentro cinco panellas de pólvora…
Aly desembarcamos os nove que ficamos vivos, todos presos em h~ua corrente…A gente do povo vendonos vir assi presos, & conhecendo que eramos christaõs, foram tãtas as bofetadas que nos deram ~q em verdade afirmo ~q nunca cuidei ~q escapássemos daly cõ vida…
Ao outro dia a tarde os sete que ficamos vivos fomos postos em leilaõ em h~ua praça, onde todo o povo da cidade estava j~uto…
… se se queria tornar a fè, & fazerse Christão, a que ele respondeu tão duro & tão fora da rezão… vendo quão cego e desatinado estava este malaventurado no conhecimento da santa & Catholica verdade… o mandaraõ atar de pès & de mãos, & vivo foy lançado ao mar com hum grande penedo ao pescoço…
E cometeome se queria eu lá yr, porque levaria nisso muyto gosto, para so color de Embaixador yr visitar de sua parte o Rey dos Batas…
Em todo este rio, que não era muyto largo, avia muyta quantidade de lagartos, aos quais com mais próprio nome pudera chamar serpentes, por serem alg~us do tamanho de h~ua boa almadia, cõchados por cima do lombo, com as bocas de mais de dous palmos…
Feita esta justiça neste cossayro & nos outros, se fez inventayro do que o junco trazia, & se orçou a valia da presa em quasi quar~eta mil taeis em seda, & peças de citim & damasco, & retròs, & almisere, a fora muyta soma de porcelanas finas…
… porem vendo nelle gente que atê então nunca tinhão visto, ficarão muyto espantados, & perguntado ~q hom~es eramos…
… porque até então naquela terra nunca se tinha visto tiro de fogo, não se sabiam determinar co que aquillo era, nem entendião o segredo da pólvora & assentarão todos que era feitiçaria.
"Um mono, vendo-se um dia
Entre brutal multidão,
Dizem que lhe deu na cabeça
Fazer uma pregação.
Creio que seria o tema
Indigno de se tratar;
Mas isto pouco importava,
Porque o ponto era gritar.
Teve mil vivas, mil palmas,
Proferindo à boca cheia
Sentenças de quinze arrobas,
Palavras de légua e meia.
Isto acontece ao poeta,
Orador, e outros que tais;
Néscios, o que entendem menos
É o que celebram mais"
"Teve estátua erigida na Roma
antiga e o seu nome era adulado e grafitado nas paredes por todo o Império. Nasceu em Lamego (Lamecum) em 104 d.C. e foi o mais célebre corredor de
quadrigas de todos os tempos. Foi dos poucos que sobreviveu no que era o desporto
mas amado da Antiguidade.
O Circo Máximo era uma estrutura
imensa para a época, com capacidade para 250.000 espetadores e o dia de
corridas, segundo testemunhos da época, era acompanhado de uma atmosfera
febril, fervor e paixão indescritiveis,. O espetáculo durava o dia todo e faziam-se
apostas, encomendavam-se placas de maldição para os adversários, comia-se nas
bancas que existiam por debaixo das arquibancadas e convivia-se, pois era o
unico espetaculo em que as mulheres eram autorizadas a sentar-se ao lado dos
homens.
Os carros eram muito leves e exigiam
grande perícia dos corredores, que conduziam usando a deslocação do peso do
corpo. As rédeas eram presas à cintura para permitir libertar a mão do chicote
sendo frequente, no arranque da corrida e nas curvas de 180º no fim da spina, o
arrastamento do condutor pelo carro e a morte, pelo que este transportava sempre
uma pequena faca (falx) para tentar cortar as rédeas. A corrida nunca era
interrompida.
Já Plinio o Velho escrevia na
altura que nos férteis vales de Olisipo (Lisboa) eram criadas umas formosas
éguas que, fecundadas pelo vento Zéfiro, originavam os cavalos mais velozes do
Império."
"Casou com o rei D. Dinis em
1281 e terá sido rainha muito piedosa,
passando grande parte do seu tempo em oração e ajuda aos necessitados.
Após a morte do rei em 1325, D. Isabel retirou-se para o convento das Clarissas
em Coimbra, onde passou a viver como religiosa, sem votos, após ter deposto a
coroa real no santuário de Santiago de Compostela e ter doado todos os seus bens
pessoais aos mais necessitados. A reputação de santa aumentou após a sua morte
em 1336, tendo sido beatificada pelo papa Leão X em 1516, vindo a ser
canonizada pelo papa Urbano
VIII em 1625. É reverenciada a 4 de Julho, dia da sua morte pela
peste, em Estremoz."
“levava uma
vez a Rainha Santa
moedas no
regaço para dar aos pobres(...)
Encontrando-a
el-Rei lhe perguntou
o que
levava,(...) ela disse, levo aqui
rosas. E
rosas viu el-Rei não sendo tempo
delas.”
(Crónica dos Frades Menores, Frei Marcos de Lisboa, 1562)
“Em 1621, carregada de gemas
preciosas, bizarramente enfeitada de penas de várias cores, majestosa no porte
e rodeada por grande grupo de donzelas, de escravas e de oficiais da sua corte desloca-se
a Luanda para negociar a paz com o governador João Correia de Sousa. Segundo
relatos e gravuras da época, quando entrou com o seu séquito na sala de
audiências verificou que, enquanto existia uma cadeira para o governador, a ela
apenas estaria destinada uma almofada colocada no chão. Então, a um breve
olhar, uma das suas servas prontamente se colocou de gatas, sentando-se Nzinga
nas suas costas e assim permanecendo durante toda a audiência. No fim da
negociação, quando Nzinga saía da sala, o governador chamou-lhe a atenção de
que a serva continuava na sua posição, ao que Nzinga limitou-se a responder que
a deixava, pois nunca se sentava duas vezes na mesma cadeira. Só após a sua
morte em 1663 é que Portugal conseguiu finalmente ocupar o território que
correspondia ao seu reino.”
Fundou
em 1130 o ribat da Arrifana, em Aljezur, comunidade de monges guerreiros, cujo
sitio arqueológico foi descoberto em 2001, tendo sido desde então alvo de estudos e de visitas de embaixadores de paises muçulmanos, incluindo a do principe Adbulaziz da Arábia Saudita em 2004.
Na
sua obra “O Descalçar das Sandálias”, é exposto o seu pensamento místico, tendo
também escrito poesia:
Que alegria para quem extrai,
Uma lenta lágrima da alma
Como a serpente tatuada
Que da sua própria pele saindo
vai.”
"Brites
de Almeida nasceu em Faro em 1350, corpulenta, feia, de carácter irrascível e
orfã, cedo levou uma vida errante com muitas peripécias, verdadeiras ou
aumentadas pelo imaginário popular, como a morte de um pretendente à
espadeirada, a fuga para Marrocos e a sua captura como escrava. Após a sua
fuga, andou vestida de homem, exerceu os ofícios de almocreve e condutor de
bestas de carga. Durante estes novos mesteres foi acusada de desordens e de
outro morticínio tendo a Justiça mandado encarcerá-la em Lisboa. Por fim
assentou em Aljubarrota onde foi padeira.
Reza
a história que após a derrota na batalha de Aljubarrota, sete castelhanos
procuraram refúgio escondendo-se no forno de sua casa. Tendo-os descoberto,
Brites matou-os à pazada e, segundo a lenda, tê-los-á cozido juntamente com o
pão.
As
gentes de Aljubarrota guardam zelosamente a sua pá que esteve escondida
emparedada na casa da Câmara durante o domínio filipino, e num poço durante as
invasões francesas."
"Gracia Mendes Nasi nasceu em 1510 no bairro judeu de Alfama.
Foi
uma das mulheres mais ricas da Europa Renascentista tendo herdado a imensa
fortuna da Casa dos Mendes, com origem no comércio de especiarias e pedras
preciosas das Indias, proporcionado pelo Descobrimentos.
Banqueira
de reis, papas e sultões (D. João III de Portugal, Henrique II de França,
Carlos V de Espanha, papas Paulo III e IV e o sultão Suleiman) financiou as
obras de intelectuais e ilustres do seu tempo, entre eles Amato Lusitano ou
Bernadim Ribeiro.
Passou
a vida a refazê-la, por virtude de ter enfrentado reis e rainhas que a queriam
casar ou a sua filha com a nobreza local, para permitir o confisco dos seus
bens. Viveu em Lisboa, Londres, Antuérpia, Veneza, Ferrara e finalmente
Istambul.
Dedicou
a sua vida e fortuna a auxiliar os sefarditas portugueses e espanhois que
fugiam das perseguições religiosas do seu tempo, e cuja devoção os levava a
tratarem-na simplesmente por “a Senhora”."
"Lá para as bandas de Cascais terá vivido em tempos, num castelo, um
feiticeiro dotado de grandes poderes. Tendo decidido um dia casar com a mais
bela rapariga da região, esta o recusou prontamente. Assim, despeitado, o
feiticeiro mandou prendê-la na mais alta torre cuja entrada mandou guardar por
um criado. A jovem e o seu guardião ali ficaram, partilhando os barulhos da
natureza e a sua solidão. O rapaz questionava-se amiude como seria a sua
cativa, uma vez que nunca a tinha visto. Um dia decidiu desobedecer ao
feiticeiro e subiu à torre e assim que os dois se olharam apaixonaram-se. Resolveram
então fugir e, numa noite de luar, fugiram a cavalo para longe dali. Tendo o
feiticeiro pressentido o ocorrido, encolerizado, com a sua magia desencadeou
uma tempestade nunca antes vista tendo provocado a abertura dos rochedos
que engoliu cavalo e amantes no mar.
Esta abertura rochosa chama-se hoje Boca do Inferno."